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Querendo, ou não, o Metrô, queremos uma Curitiba melhor!

13 de junho de 2012 em Mobilidade, Notícia, Notícias, Transporte Público

metro 1024x768 Querendo, ou não, o Metrô, queremos uma Curitiba melhor!

Manifestantes protestam na "audiência" pública sobre o projeto do metrô de Curitiba

O MPL-Curitiba não é contra metrô, bonde, ônibus ou trem. Somos a favor de uma cidade para todas as pessoas.

Nos posicionamos totalmente contra as políticas que confirmam a atual lógica de uma cidade que exclui a maioria, em favor de empresários e políticos profissionais. Este é o modelo econômico que gera lucros à base de segregação social. Eis o foco da nossa luta pela mobilidade urbana.

Portanto, tendo analisado o projeto e assistido à audiência pública, somos CONTRA o projeto METRÔ CURITIBANO.

Não é preciso ser engenheiro ou administrador para entender que a verba, a título de PAC da “Mobilidade Urbana”, serve-se apenas para viabilizar mais um “empreendimento” monopolista privado que vai lucrar com o deslocamento urbano das pessoas.

A verba aplicada a fundo perdido por prefeitura, estado e união, principalmente com dinheiro do trabalhador (quase 50% do seu trabalho são tributos e quem ganha menos, acaba pagando mais) seria o suficiente para a aquisição da frota de ônibus atual e ainda a viabilização de 2 anos de Tarifa Zero para Curitiba. Quebrar a barreira que são as distâncias promove cidadania, inclusão social, educação e trabalho. Isto não foi explicado e muito menos discutido com quem usa (passageiros) e faz (motoristas e cobradores) o transporte coletivo de Curitiba.
Pelo contrário. Toda a elaboração do plano de uso do dinheiro foi feita através de discussão junto aos chamados gestores da cidade – tanto públicos como privados. Assim, criou-se um projeto para dar lucro às empreiteiras locais, à especulação imobiliária e aos políticos profissionais.

É por esta razão que aderimos à CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA AO PROJETO METRÔ CURITIBANO, que estará disponível para adesões. Movimentos sociais, conselhos de classe, ong´s, grêmios e diretórios estudantis, partidos, cidadãos independentes, etc…, poderão aderir ao documento ou ainda usá-lo à vontade como base na elaboração de suas iniciativas contra mais este golpe que restringe o direito de ir e vir na cidade.

Observação: se você ou sua organização possuem contestação a este projeto, envie para que possamos divulgar (mplcuritiba@gmail.com)!

Venha trazer seu protesto e participação. Se queremos uma cidade para as Pessoas, são elas que precisam tomar as rédeas das decisões para a cidade.

Vejam que até a imprensa burguesa e chapa-branca, deixa escapar que o objetivo da gestão Luciano Ducci é eleitoreiro: Em ano eleitoral, prefeitura aumenta despesas com obras e propaganda !

Serviço:

Sumário: Coleta de assinaturas para adesão a Contestação Administrativa do Projeto Metrô Curitibano
Local: Bicicletaria Cultural – Rua Presidente Faria, 226 (na canaleta, próximo da UFPr e estação central)
Dia e horários: 14 e 15.06.09, das 8h às 18h
Minuta: https://docs.google.com/document/d/1vIy7D6j_WIy_Eli40MLFXzeGjOyBxoeDQOVjXpyE440/edit?pli=1

Retirado do site do MPL-Curitiba: fureotubo.wordpress.com

Política e Polícia

15 de fevereiro de 2009 em Massa Crítica

por Rodrigo Ponce – http://projetopretexto.wordpress.com/

 gustavo Política e Polícia

Nesta sexta-feira 13, em Curitiba, o terror mais uma vez ficou por conta da Polícia Militar do Paraná. Não estive presente, mas não é preciso pensar muito para entender o que aconteceu. Ainda que o Governo do Estado e sua Secretaria de Segurança afirmem sempre que “conosco não tem enrosco”, a afirmação não é mais contundente do que as pancadas que continuam sendo distribuídas a torto e direito. Nada justifica a truculência e o despreparo que continuam sendo a marca da nossa PM.

A manifestação do Movimento Passe Livre – MPL reivindicava a volta da passagem ao patamar anterior (de R$2,20 para R$1,90), abertura da “caixa preta” da URBS (empresa responsável pelo transporte em Curitiba) e passe livre para todos os estudantes. Você já pode ler comentários na Internet dizendo que isto não é coisa de estudante nem de cidadão, pois lugar de estudante é na escola e a cidadania se exerce com trabalho e voto. Quem faz manifestação, pelo contrário, é “baderneiro”. Esta opinião não é de todo equivocada. Realmente, aqueles que decidem se manifestar politicamente deixam de pertencer inteiramente à mesma identidade social.

Como afirma o filósofo Jaques Rancière, através da ação política se produz um espaço de participação que não existia antes. Neste novo espaço, você não é apenas o estudante, o trabalhador, a mulher, o negro, etc. Estas são “identidades definidas na ordem natural da repartição das funções e dos lugares”, ou seja, o cada um no seu quadrado. Mas agir politicamente significa transformar todas estas identidades, criando um espaço de litígio onde se pretende repensar a sociedade, suas funções e lugares. Abre-se um espaço “onde qualquer um pode contar-se porque é o espaço de uma contagem dos incontados” (O Desentendimento. Editora 34, 1996, p. 48).

E quem são os incontados? Ora, você, eu, todos os que não estavam na mesa de negociação que decidiu pelo aumento da passagem. Todos os que não tem acesso às contas da URBS. Na “ordem natural” da sociedade, nós não temos o direito de mudar essas coisas. Não é da nossa conta. Porque estudante tem que estudar, trabalhador tem que trabalhar e todo mundo têm que pagar a passagem e ficar calado. Pelo contrário, o ato político constrói uma relação entre o que não tem relação. Ele exige que sejamos contados naquilo que não era da nossa conta. Transforma o problema de cada um em um problema de todos, deslocando o assunto privado (você não tem dinheiro pra passagem) para visibilidade pública (nós temos direitos de ir e vir).

Isto me faz lembrar de outra coisa, cujo contexto é muito parecido: transporte, direito à cidade, ação política e… criminalização. Daquela feita, a repressão foi da Guarda Municipal e o movimento em questão era a Bicicletada. Pintaram uma ciclofaixa e ganharam prisão, multa processo e – por sorte ou simpatia – escaparam da porrada. A defesa do grupo perante a justiça revela o quanto as autoridades trocam alhos por bugalhos, política por vandalismo, estudante por bandido, cidadão por meliante. O guarda em questão enquadrou o pessoal no artigo 4º da Lei Municipal 8.984/96, que condena a pichação de bens públicos ou particulares. No entanto, como afirma a defesa, o que havia ali não era um grupo de pichadores, mas “um movimento popular legítimo, o qual realizou ato público, à luz do dia, após chamada aos meios de comunicação e às autoridades, com apoio dos moradores e comerciantes da região, com propósito específico de atrair atenção para um meio barato e eficaz de se cumprir a lei (…) de exigir da Municipalidade a inclusão da
bicicleta como parte das soluções de trânsito em Curitiba”.

No meio de tantas diferenças, no critério “criminalização de movimentos sociais”, tanto o Governo quanto a Prefeitura estão empatados. Quer dizer… talvez a PM esteja alguns pontos na frente. Quem sabe porque o time está mais entrosado e vem treinando há mais tempo este tipo de ataque. O relato de um garoto na delegacia dá a medida dos métodos de intimidação. O policial pergunta a idade do rapaz e diante da resposta, ironiza: “Tá na hora de morrer, né?”. Para evitar qualquer denúncia e impedir novas manifestações, eles afirmam que estão na cola, tem fotos de todo mundo e sabem onde todo mundo mora. Quer mais? Ao que parece, nenhum dos detidos conseguiu fazer o exame de corpo de delito, pois foram mantidos na delegacia até perto das 18 horas e o IML funciona até as 17h30.

O MPL pede que sejam enviadas moções de apoio ao movimento e contra a criminalização dos movimentos sociais, para o e-mail mplcuritiba@gmail.com .