Bênçãos sobre duas e quatro rodas
Capuchinhos abençoam veículos desde 1951
Ontem, a tradicional bênção dos veículos feita pelos frades capuchinhos na Paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, incorporou uma nova frota: as bicicletas. Os religiosos abençoam veículos e pessoas na primeira sexta-feira do ano desde 1951. No início, moradores, principalmente de Santa Felicidade, passavam pela igreja e pediam a bênção para os produtos e as carroças. Com o tempo, carros e motos passaram a ser abençoadas. Virou tradição. Este ano, pela primeira vez, os membros do movimento Bicicletada Curitiba se mobilizaram para receber a benção.
Luís Cláudio Patrício, 30 anos, um dos membros do Bicicletada Curitiba, afirma que as bicicletas, assim como os carros, também são meios de transporte. Por isso, os ciclistas marcaram encontro às 17h30 de ontem na frente da igreja. Outros passaram ao longo do dia. "Viemos pedir proteção contra acidentes de trânsito, uma das principais causas de morte no Brasil. Mas queremos que a nossa causa – ciclofaixas, mais respeito aos ciclistas e o plano de mobilidade – também seja abençoada", comenta Patrício.
Ontem, 30 frades capuchinhos abençoaram de 30 a 40 mil veículos, das 6 às 21 horas. Cada bênção dura em média 40 segundos. O frade faz uma breve oração, joga água benta e entrega um folheto. Os motoristas, em sua maioria, buscam proteção no trânsito. Roberto Quadros, 59 anos, há três décadas retorna em busca da bênção. "Busco boas palavras, bons fluidos. Nunca me acidentei", garante. Rogério Monteiro, 49 anos, procura a bênção dos capuchinhos quando troca de moto e, como adquiriu uma nova no fim do ano passado, procurou a igreja das Mercês na tarde de ontem. "Recebo proteção contra qualquer mal. Isso é realmente uma bênção", diz.
Outros motoristas receberam ontem pela primeira vez a bênção dos capuchinhos. Cláudio Benedito, 40 anos, já se acidentou e estava em busca de proteção. Cleonice e Cristiano Viana, casados, ambos de 35 anos, trabalham com o carro e queriam proteção para o instrumento de trabalho. Cléber Lima, 34 anos, também queria proteção para o seu táxi.
O frade Aluadi Marmentini, 62 anos, há oito anos na paróquia, afirma que a bênção ajuda, mas salienta que o motorista deve respeitar as leis de trânsito. "Só receber a bênção não adianta. O motorista precisa estar em harmonia e conduzir o veículo com serenidade", comenta Marmentini.
A bênção foi realizada próxima das calçadas na Avenida Manoel Ribas, na Rua Júlio Perneta e na Rua Alcides Munhoz, ao redor da igreja. A Urbs mobilizou 60 agentes para o evento, com cem cones formando canaletas por onde os carros passavam e paravam para receber a bênção. O trânsito ficou lento em alguns momentos, mas não houve congestionamentos. As 11 linhas de ônibus que passam pela Manoel Ribas não tiveram problemas. Os capuchinhos abençoavam até quem não parava, fossem motoristas, motociclistas ou pedestres.
por Márcio Renato dos Santos - 05/01/2008
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