Bicicleta é o meio de transporte mais eficiente, comprova estudo
14 de dezembro de 2007

Mais rápida. Mais econômica. Menos poluente. Uma propaganda que tentasse convencer a população de uma cidade a aderir à bicicleta como meio de transporte poderia usar qualquer um desses argumentos sem estar mentindo. Ou poderia reduzir a argumentação a um único ponto: mais eficiente. Essa é a conclusão do relatório produzido pelo grupo Bicicletada-Curitiba, que divulgou nesta semana os resultados do Desafio Intermodal, realizado em 10 de outubro.
Para descobrir qual o transporte mais eficiente a ser usado na cidade em horário de pico, quando milhares de curitibanos ficam presos no trânsito, duas bicicletas, um usuário de ônibus, um carro, uma moto e um pedestre participaram do desafio. Todos saíram às 18 horas da Rua Augusto Stresser, no Juvevê, e foram até a prefeitura, no Centro Cívico, passando pela Câmara Municipal. Na ocasião, uma das bicicletas venceu a corrida. Agora, o relatório do desafio mostra que o ciclista levou vantagem não apenas no tempo.
Economia
De acordo com o documento, a bicicleta, junto com a opção de andar a pé, é o transporte mais econômico, pois tem gasto zero em seus trajetos. A moto foi a terceira opção mais barata para realizar o percurso do desafio, de 6,7 quilômetros, gerando um custo de R$ 0,60. Em seguida, veio o carro, com despesa de R$ 2,70. O ônibus foi a alternativa mais cara de deslocamento, já que foram pagas duas passagens pelo usuário, que precisou desembarcar na Praça Eufrásio Correia - gerou custo de R$ 3,80.
Veja o gráfico de comparação entre a bicicleta e outros meios de transporte
Em consumo de energia, as bicicletas venceram mais uma vez, com 0,37 megajoule, seguidas do pedestre (0,96), do ônibus (1,54), da moto (5,71) e do carro (29,67). O relatório ainda mostra que andar a pé gera menos ruídos (10 decibéis) e que a moto é o transporte que mais contribui na poluição sonora (83 decibéis).
Ainda em relação aos danos ao meio ambiente, as locomoções feitas de bicicleta e a pé foram as mais ecológicas, com nenhuma emissão de dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), hidrocarboneto (HC) e hidrocarboneto não-metano (NMHC). Os veículos mais poluentes foram o carro e a moto, com emissão de 12,6 e 33,9 gramas de CO, 1,8 e 7,4 gramas de HC e de 1,6 e 1,9 gramas de NMHC, respectivamente. O carro emitiu, ainda, 521,1 gramas de CO2. Esse índice não pôde ser calculado para a moto.
No relatório, foi feito também um ranking com uma média dos resultados obtidos nestes quesitos. Levados em consideração todos os itens medidos, a bicicleta que fez o percurso pelas ruas foi o transporte mais eficiente, seguida da bicicleta que utilizou ciclovias, da locomoção a pé, da moto, do ônibus e do carro.
Critérios
Há ainda um ranking com quesitos subjetivos, analisados pelos usuários de cada transporte que participaram do desafio. Os critérios foram praticidade, segurança, conforto e conflito. Em primeiro lugar, ficaram as duas bicicletas, empatadas. A moto aparece em terceiro, seguida da locomoção a pé, do carro e do ônibus.
Para a Bicicletada-Curitiba, os resultados do desafio não demonstram, necessariamente, a supremacia da bicicleta. "Eles comprovam o óbvio: a inviabilidade de planejar a cidade tendo o carro como prioridade", afirma Luís Patrício, participante do grupo.
Outros estudos também mostram que há prejuízos na utilização irracional do automóvel. De janeiro a setembro de 2003, por exemplo, os acidentes de trânsito em Curitiba (20.309, no total) tiveram um custo social de R$ 200 milhões. Para esse cálculo foram utilizados dados do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) e uma tabela da Organização Mundial de Saúde (OMS) que leva em conta todos os gastos envolvidos em um acidente.

Incentivo
Na véspera da campanha "Na cidade sem meu carro", comemorada em 22 de setembro, o Ministério das Cidades apresentou um estudo que fornece subsídios para os municípios que pretendem implantar um plano cicloviário. O documento demonstra que, para distâncias de até cinco quilômetros, a bicicleta é o meio de transporte mais rápido em deslocamentos "porta-a-porta", nas áreas urbanas mais densas das cidades.
Segundo Luís Patrício, da Bicicletada, a prefeitura de Curitiba deveria desenvolver mais estudos simples, como os desafios intermodais, para identificar regiões congestionadas e trabalhar para reduzir o tráfego, com da restrição do uso de automóveis. "Boa parte da verba do sistema viário acaba beneficiando apenas as classes mais altas, que fazem uso de veículos particulares e são obviamente uma minoria", afirma. Para ele, estes recursos poderiam ser usados para tornar o transporte público atraente até mesmo para os usuários de carros.
por Tássia Arouche
Publicado na Gazeta do Povo - Caderno Paraná
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