Trânsito brasileiro mata mais que as guerras
Em apenas um mês, morre no Brasil o equivalente a todas as perdas de soldados americanos em quatro anos no Iraque
SÃO PAULO - O Brasil vive uma guerra nas estradas. Segundo dados do Ministério da Saúde, a comparação vai além da metáfora. O trânsito brasileiro mata quase tanto quanto a guerra do Iraque. Em 2005, cerca de 35 mil pessoas morreram nas ruas e estradas brasileiras. A média anual de vítimas no Iraque, desde a ocupação americana, em maio de 2003, é de 37 mil, de acordo com o governo iraquiano. " É uma estupidez, pois 99% dos casos são o que chamamos de acidentes evitáveis. É um genocídio", disse Ailton Brasiliense Pires, ex-diretor do Denatran e um dos maiores especialistas em trânsito do país.
Em apenas um mês, morre no trânsito do Brasil o equivalente a todos os soldados americanos que faleceram nos quatro anos de ocupação iraquiana (3.350). No período de 30 dias, as vias nacionais registram o mesmo número de mortos do atentado às torres gêmeas, que matou 3.234 pessoas, em 11 de setembro de 2001. No mês de julho, só nas rodovias federais morreram 700 pessoas. O acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, em julho, deixou 199 vítimas fatais. A tragédia nas estradas brasileiras é 22 vezes maior do que a guerra entre Israel e o Líbano, que matou cerda de 1.600 pessoas no ano passado, e supera em 57% o montante de vítimas do terrorismo em todo o planeta em 2006 (20.498, segundo o Centro de Controle de Terrorismo do Departamento de Estado dos EUA).
Na guerra entre Irã e Iraque, que atraiu as atenções do planeta durante oito anos, na década de 80, morreram 22 mil pessoas por ano, 38% menos do que nas estradas do Brasil. O conflito entre russos e separatistas da Chechênia, considerado um dos mais negativos da Europa oriental, deixou 16 mil mortos, menos da metade do que o trânsito brasileiro. Na guerra entre a extinta União Soviética e o Afeganistão morreram 20 mil pessoas por ano entre 1979 e 1989. Os mortos nas estradas são dez vezes mais que a média anual de 3.500 vítimas fatais da guerra civil de Angola. Segundo Brasiliense, em 2002 o trânsito matou 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo; as guerras vitimaram 400 mil pessoas. "São três vezes mais! Um holocausto", comparou ele.
Correio da Bahia - 07/10/2007
Publicado no site da Perkons
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